Por que nós, Designers Gráficos, somos desvalorizados?

Depois de anos estudando, trabalhando e prestando serviços para grandes empresas (mesmo ninguém sabendo que fomos nós que criamos aquele famoso logo!), ainda somos obrigados a ouvir: “Meu primo é designer também como você, ele fez este cartão no Paint Brush”. Por isso eu não gosto de me rotular como “Designer”, hoje em dia existem muitos “designers” por aí fazendo “cartões no Paint Brush”. Muitos acabam de baixar sua cópia ilegal do photoshop e já se entitulam “designers gráficos”, nem se quer abriram o programa para ver como funciona. Sem contar que para ser um bom designer gráfico você precisa ter um amplo conhecimento de outros programas além do bom e velho photoshop.
Daqui a pouco teremos pessoas que conseguirão fazer uma arte no bloco de notas do windows, era só o que faltava…

Trabalhando como Arte Finalista/Designer Gráfico durante anos, eu me deparei  com artes sem o menor senso de ridículo. Pessoas sem noção alguma de cores, utilizando fundo escuro e fontes escuras, deixando a arte sem leitura alguma.
Sem contar “profissionais” que sabendo a dimensão exata da  impressão,  faz a arte utilizando exatamente esta área, sem deixar o espaço para o corte do impresso! Isso é fantástico. Fora os incríveis efeitos do nosso amigo wordart aplicados em algumas peças.

E o erro mais comum: CORES... Regrinha básica: RGB = Red, Blue, Green = Esquema de cores para INTERNET ou visualização no monitor.
CMYK = Cian, Magenta, Yellow, Black = Esquema de cores para IMPRESSÃO.
Então pelo amor de Deus,  vamos prestar mais atenção e se for arte para impressão mandem em CMYK para ninguém ter que transformar sua arte em um JPG gigante fazendo a mesma perder resolução ou fazer com que saiamos caçando tudo o que está em RGB.
Mas nada me irrita mais do que perder vários dias fazendo um catálogo ou qualquer outra arte com todo o capricho, senso e profissionalismo, aplicando efeitos 3d incríveis, desfoques, degradês, camadas…enfim todo o luxo que uma arte merece.  Então você apresenta o resultado final do projeto, todo orgulhoso de si mesmo, e depois de uns segundos de silêncio, seu cliente diz: ah… está legal, mas…. vamos mudar isso aqui, tira esse efeito aqui (aquele que você perdeu a metade do seu tempo trabalhando), usa essa fonte para o logo (normalmente alguma extremamente serifada), e depois de 5 minutos temos a maior arte matada da história, e seu cliente ainda fala enchendo o peito: “Eu entendo alguma coisa de ‘design’”. Tudo bem, a vontade é de sair correndo, mudar de profissão, socar o bendito. Mas o problema? Ele é seu cliente, afinal você “tentou” durante dias deixar o produto dele com a arte a mais legal que fez até hoje, e ele, em minutos, detonou a mesma. Tudo bem, você já recebeu mesmo, o azar é dele ou seu? O azar é seu pois, nem todos tem o mesmo mau gosto dele (aliás poucos tem) e ele só vai descobrir que o trabalho ficou péssimo quando alguém criticar. Outro grande problema, a propaganda boca a boca é a maior do mundo certo? Ele vai falar que “você” que fez a arte…ferrou é melhor nem ouvir isso de alguém.. hehehehe

Outro grande problema, é o valor cobrado pelos queridos “designers” de primeira viagem, nada contra, afinal todos tem o direito de começar, estudar…. Mas gente não vamos avacalhar né? Poxa se está começando vai de leve e ao menos aplique preço que condizem com o mercado, valorizem o trabalho de vocês!
Estou cansado de passar o orçamento para o cliente, digamos algo em torno de R$ 1.000,00 e o cliente arregalar os olhos e dizer: Mas meu vizinho faz a mesma coisa e me cobra R$10,00…..ok vai lá então fazer com ele para ver a m… que vai sair…rs (esse sim deve fazer no paint brush!). Então meus queridos, antes de cobrar os seus valiosos R$ 10,00 que não pagam muitas contas para não dizer não pagam nada, pense que se você quer viver disso tem que aplicar preços realistas e que paguem cada segundo, minuto, hora, dia, mes ou ano gasto com uma arte “bonita”.

Talvez (para não dizer certeza) que esses são os motivos para um designer ser tão desvalorizado ultimamente e ainda mais no Brasil, um país onde se valoriza o “produto físico” e não a mão de obra aplicada no desenvolvimento do mesmo.

Igor Dourado

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